QUARTA INSTRUÇÃO

Ven∴ – Que forma tem a nossa Loja, Ir∴1°Vig∴?

1°Vig∴ – A de um quadrilongo.

Ven∴ – Qual a sua altura?

1°Vig∴ – Da terra ao céu.

Ven∴ – Qual o seu comprimento?

1°Vig∴ – Do Oriente ao Ocidente.

Ven∴ – E a sua largura?

1°Vig∴ – Do Norte ao Sul.

Ven∴ – Qual a sua profundidade?

1°Vig∴ – Da superfície ao centro da Terra.

Ven∴ – Por que, meu Ir∴?

1°Vig∴ – Porque a Maçonaria é universal e o universo é uma imensa oficina.

Ven∴ – Por que razão está nossa Loja situada do Oriente para o Ocidente, Ir∴2°Vig∴?

2°Vig∴ – Porque assim como a luz do Sol vem do Oriente para o Ocidente, as Luzes do evangelho da civilização vieram do Oriente, espalhando-se depois pelo Ocidente.

Ven∴ – Em que base se apoia a nossa Loja?

2°Vig∴ – Em três grandes Colunas: Sabedoria. Força e Beleza.

Ven∴ – Quem representa o pilar da Sabedoria?

2°Vig∴ – O venerável Mestre, no Oriente.

Ven∴ – E os da Força e da Beleza, quem os representa?

2°Vig∴ – O 1°Vig∴, no Ocidente, o da Força; e o 2°Vig∴ no Sul, o da Beleza.

Ven∴ – Por que o venerável representa o pilar da sabedoria?

2°Vig∴ – Porque dirige os obreiros que compõem a Ordem.

Ven∴ – Por que representais o pilar da Força, Ir∴1°Vig∴?

1°Vig∴ – Porque pago aos obreiros o salário que é a força e a manutenção da existência.

Ven∴ – E o 2°Vig∴, por que é o da Beleza?

1°Vig∴– Porque faz repousar os obreiros, fiscalizando-os no trabalho.

Ven∴ – Por que a Loja é sustentada por três colunas?

1°Vig∴ – Porque a Sabedoria, a Força e a Beleza são o complemento de tudo; sem elas nada é perfeito e durável.

Ven∴ – Por que, meu Ir∴?

1°Vig∴ – Porque a Sabedoria cria, a Força sustenta e a Beleza adorna.

Ven∴ – Por que a Maçonaria combate a ignorância em todas as suas formas?

1° Vig∴ – Porque a ignorância é a mãe de todos os vícios e seu princípio é nada saber, saber mal o que sabe e saber coisas outras além do que deve saber. Assim, o ignorante não pode se medir com o sábio cujos princípios são a tolerância, o amor fraternal e o respeito a si mesmo. Eis porque os ignorantes são grosseiros, irascíveis e perigosos; perturbam e desmoralizam a sociedade, evitando que os homens conheçam seus direitos e saibam, no cumprimento de seus deveres, que, mesmo com constituições liberais, um povo ignorante é escravo. São os inimigos do progresso que, para
melhor dominar, afugentam as luzes, intensificam as trevas e permanecem em constante combate contra a verdade, contra o Bem e contra a perfeição.

Ven∴ – E por que combatemos o fanatismo, Ir∴2°Vig∴?

2°Vig∴– Porque é a exaltação religiosa que perverte a razão e conduz os insensatos a, em
nome de Deus e para honrá-lo, praticarem ações condenáveis. É um afastamento da moral, uma moléstia mental, desgraçadamente contagiosa, que, implantada em um país, toma os foros de princípio, em cujo nome, nos execráveis autos de fé, fizeram perecer milhares de indivíduos úteis à sociedade. A superstição é um culto falso, mal
compreendido, repleto de mentiras, contrário à razão e às sãs idéias que se deve fazer de Deus; é a religião dos ignorantes, das almas timoratas. Fanatismo e superstição são os maiores inimigos da religião e da felicidade dos povos.

Ven∴ – Para nos fortalecermos nos combates, que devemos manter contra esses inimigos, qual o laço sagrado que nos une?

2°Vig∴ – A Solidariedade, Ven∴ Mestr∴.

Ven∴ – Será por isso que comumente se diz que a Maçonaria proporciona a seus adeptos vantagens morais e materiais?

2°Vig∴ – Essa afirmação não corresponde à verdade. O proveito material, como interesse unicamente individual, não entra nas cogitações dos verdadeiros maçons e as vantagens morais resumem-se no adquirir a firmeza de caráter como consequência natural
da nítida compreensão dos deveres sociais e dos altos ideais da Ordem.

Ven∴ – Como podeis fazer tal afirmação, se todos dizem que a Solidariedade Maçônica
consiste no amparo incondicional de uns a outros Maçons, quaisquer que sejam as circunstâncias?

2° Vig∴ – É a mais funesta interpretação que se tem dado a este sentimento nobre que
fortalece os laços da fraternidade maçônica. O amparo moral e material, que, individual e coletivamente, devemos aos nossos irmãos, não vai até o dever de proteger
aos que, conhecedores de suas responsabilidades sociais, se desviam do caminho da moral e da honra.

Ven∴ – Que solidariedade, então, é a que deve existir entre nós, Ir∴1°Vig∴?

1°Vig∴– É a solidariedade mais pura e fraternal, mas somente para com os que praticam o bem e sofrem os espinhos da vida; para os que, nos trabalhos lícitos e honrados, são infelizes; para os que, embora rodeados da fortuna, sentem na alma os amargores das desgraças; enfim, a solidariedade maçônica está onde estiver uma causa justa.

Ven∴ – Não jurastes, então, defender e socorrer vossos irmãos?

1° Vig∴ – Jurei sim, Ven∴ Mestr∴, e, sempre que posso, correspondo a esse juramento. Quando, porém, um irmão, esquecido dos princípios e dos ensinamentos maçônicos,
se desvia da moral que nos fortifica para se tornar mau cidadão, mau esposo, mau
pai, mau filho, mau Irmão, mau amigo, quando, cego pela ambição ou pelo ódio, pratica atos que consideramos indignos de um Maçom, ele, e não nós, rompeu a solidariedade que nos unia e que não mais poderá existir porque, se assim a praticássemos, seria pactuarmos com ações de que a simples conivência moral nos degradaria, por isso é que o Maçom, que assim procede, deixou de ser Irmão, perdeu todos os direitos ao nosso auxílio material e, principalmente, ao nosso amparo moral.

Ven∴ – Não deveis, porém, dar preferência, na vida pública, a um Irmão da Ordem sobre um profano?

1°Vig∴ – Em igualdade de circunstâncias, meu dever é preferir um irmão, sempre que para fazê-lo não cometa uma injustiça que fira a minha consciência. Os ensinamentos de nossa Ordem nos obrigam a proteger um irmão em tudo o que for justo e honesto.
Não será justo nem honesto proteger o menos digno, mesmo que seja irmão, preterindo os sagrados direitos do mérito e do valor moral e intelectual.

Ven∴ – Então, sistematicamente, não favoreceis a um Irmão?

1°Vig∴ – Sem outras razões, não. A nossa Ordem nos ensina a amar a Pátria, e, portanto, a sermos bons cidadãos. Não o seríamos nem nos poderíamos julgar merecedores desse nobre título e da confiança de nossos irmãos, se, ao bem público, antepuséssemos os interesses de uma pessoa menos apta ou menos digna de trabalhar pelos interesses da sociedade e da Pátria.

Ven∴ – Como, então, a voz pública acusa os maçons de progredirem no mundo profano graças ao nosso sistema de recíproca proteção?

1°Vig∴ – São afirmações dos que, não conhecendo a razão das coisas, julgam incondicional a nossa solidariedade. Se há Maçons que galgam posições elevadas e de grandes responsabilidades sociais, a razão evidentemente se oculta no seguinte: a nossa Ordem não acolhe profano sem antes examinar a sua inteligência, o seu caráter e a sua probidade. Daí é natural que de nossa Ordem, cuidadosamente selecionada, surjam cidadãos que se destaquem por suas qualidades pessoais, tornando-se, assim, dignos de serem aproveitados na conquista do progresso e da felicidade do povo.

Ven∴ – Concluís, então, que em nossa Ordem não haja desonestos?

1°Vig∴ – Nada é perfeito, ainda, no Mundo. Não deixo de reconhecer que, muitas vezes, temos nos enganado na escolha de alguns elementos, apesar do rigor de nossas sindicâncias. Assim, infelizmente, maus elementos, com o único fito de tirar proveito pessoal de nossa associação, se têm infiltrado em seu seio. Alguns, pela natural influência da vida e da prática maçônica, regeneram-se e transformam-se em bons eproveitosos obreiros. Para os que são insensíveis à ação de nossa moral e de nossos princípios, a nossa Lei nos fornece meios seguros e prontos de separarmos o joio do
trigo, o que devemos fazer sem temor nem vacilação. Só assim fortificaremos nossas colunas pela exclusão dos elementos refratários aos ensinamentos austeros e elevados dos princípios maçônicos.

Ven∴ – Em que consiste então, nossa fraternidade?

1º Vig∴ – Em educarmo-nos, instruirmo-nos, corrigindo os nossos defeitos e sendo tolerantes para com as crenças religiosas e políticas de cada um. A nossa fraternidade nos
ensina a dar e não a pedir, sem justa necessidade.

Ven∴ – Sob o influxo dessas doutrinas, continuemos, meus irmãos, os nossos trabalhos
para maior glória, honra e esplendor de nossa Ordem.

Ven∴ – (!) esta feita a quarta instrução.

Os trabalhos prosseguem do ponto em foram suspensos.

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